Tuesday, October 27, 2009

Where is the love?

Today the buses that connect the two campuses of my university had their schedule changed. This wroke havoc as many students missed the buses they were expecting to catch. One of the 2 buses from 6 o’ clock were moved to 5 pm, so at 6 there was only one bus; Some people (such as myself) who arrived on time to catch it, waited for quite a while, without a a clue why it was taking so long to arrive, until some other people mentioned that it actually had got filled pretty quickly (evidently!) and left before schedule because of that. How convenient!

So we wait a full hour for the next bus. Meanwhile other people start to arrive at the bus stop, willing to catch the 7pm bus. There was no line, so when the bus arrives, everybody starts getting entering it… until the driver says no more people can get in. About 20 people were left outside — many, including me, who were already waiting since 6 pm. We talk to the driver for a while, bet there’s no apparent solution, there’s nothing he can do.

Then I suggest him to ask the people inside the bus — those who arrived there to catch the 7pm bus — whether any of them was willing to give up their places for someone who had already waited an hour. The other guys around me laugh, which takes me by surprise. I mean, I know I shouldn’t expect everyone to be a good samaritan, but 1 in 40 is not expecting too much, right?

Wrong. After I ask the driver for the second time, he agrees to try that, shrugging his shoulders in disbelief. And voilá, indeed not a single soul felt guilty for having a place in the bus after a 5-minute wait, while condeming others to wait for 2 hours. Well, at least noone felt guilty enough to do or say something. Come on guys, where is the love?

I guess I wanna live somewhere else.

Posted by Waldir Pimenta at 22:35:27 | Permalink | Comments (4)

Wednesday, June 10, 2009

Era uma vez um arrastão

Há exactamente 4 anos, a 10 de Junho de 2005, a agência Lusa publicou a notícia de um assalto massivo que aconteceu na praia de Carcavelos, envolvendo 500 jovens negros dos bairros degradados de Lisboa.

O facto inédito foi logo a notícia de abertura de todos os telejornais e a primeira página de todos os jornais do dia seguinte. Eventualmente, tomou proporções gigantescas, ao multiplicarem-se as notícias cada vez mais alarmistas, acabando por fazer até manchetes em serviços noticiosos estrangeiros, como a BBC.

Foi só uma semana depois que os factos foram apurados e o acontecimento começou a ser desmentido, e exposto como meramente uma enorme bola de neve em que cada notícia alimentava a seguinte, ao estilo “quem conta um conto acrescenta um ponto”, com base num punhado de testemunhos que se revelaram contraditórios às versões de quem realmente lá esteve.

Mas como é natural, embora a notícia sensacionalista tinha-se espalhado viralmente, já o seu esclarecimento, desconstruindo todo o mito de um arrastão que nunca existiu, não teve nem uma fracção do destaque da “notícia” original, deixando a sensação geral de insegurança e a incerteza sobre os acontecimentos no público.

De facto, até hoje, ainda muitos portugueses acreditam que de facto se verificou um “arrastão” realizado por centenas de jovens negros provenientes de bairros degradados. Os desmentidos, realizados e divulgados, tiveram um efeito mínimo, não se verificando a reposição da verdade factual.

Eis os factos, para rigor histórico e análise:

  • No dia 10 de Junho de 2005, sendo o final das aulas, e um feriado, uma grande quantidade de jovens negros deslocou-se para a praia de Carcavelos, usando como transporte os comboios da linha de Cascais; O número de pessoas foi estimado em cerca de 400 indivíduos. Porém, tal não aconteceu de forma súbita e organizada, mas sim gradualmente, em grupos dispersos, ao longo de toda a manhã. Note-se que se trata de algo perfeitamente normal para banhistas em pleno verão — afirmações do relatório da própria PSP.
  • Entretanto, por volta das 14h, um grupo de 30 a 40 jovens maioritariamente africanos, brasileiros e europeus do leste, tendo-se reunido em torno da bola da Nívea, um ponto de encontro que frequente usavam, começou a causar algum distúrbio, com música alta, correrias, danças, jogos de bola e outras actividades que perturbaram os banhistas na vizinhança.
  • Esses distúrbios foram relatados fundamentalmente por uma única testemunha, que mantinha um café/bar nas proximidades. Notavelmente, este indivíduo tinha sido anteriormente agredido e evidenciava possuir preconceitos racistas.
  • A irmã desse indivíduo telefonou à polícia, por ter “previsto” o que iria acontecer. 30 reforços policiais chegam à praia 20 minutos depois, coincidindo com um desentendimento entre um casal nesse grupo de jovens que gerou algum tumulto.
  • Com informações erróneas sobre a dimensão e gravidade dos acontecimentos, a força policial aborda o grupo de jovens, que desata a correr pela praia, receando a intervenção policial.
  • Numa reacção perfeitamente previsível, os banhistas igualmente fogem, muitos sem saber sequer de quê. Naturalmente, vários agarram nas suas coisas para não as deixar para trás.
  • Nessa altura, uma jornalista da Agência Lusa, que passava pelo local (em lazer) informou-se junto das forças policiais sobre o sucedido, tendo recolhido informações que vieram inicialmente a ser publicadas às 16:30, dando início a uma série de despachos, referindo-se sistematicamente a um assalto organizado de 500 jovens marginais oriundos dos bairros problemáticos de Lisboa.
  • Todos os noticiários abrem com a notícia. No noticiário da SIC, pela primeira vez é usado o termo “arrastão”, que daí propaga-se vindo a ser usado em todos os meios de comunicação. As comparações com os arrastões do Rio de Janeiro, no Brasil, são frequentes (é de notar que nem no Brasil os arrastões tomam proporções de 500 pessoas).
  • Fotografias usadas nos telejornais são descritas como indicando a violência dos assaltos; na verdade apenas mostravam pessoas em fuga, incluindo jovens negros não só do grupo onde se iniciaram o distúrbios, mas também outros banhistas, adolescentes e jovens negros, que apenas fugiam com os próprios haveres.
  • Mesmo que na confusão tivesse havido assaltos espontâneos, houve apenas uma queixa de assalto confirmada em Carcavelos, e nem se passou na praia mas sim na estação de comboios, e num horário totalmente diferente. As únicas ocorrências de pessoas feridas foram de uma mulher que se feriu num pé numa garrafa partida, e de uma pessoa atingida por engano com um bastão da polícia.
  • No dia seguinte, a notícia é manchete de todos os jornais. títulos sensacionalistas, envolvendo termos como “pânico”, “caos”, “centenas de vândalos”, “terror”, entre outros. Tudo isto, ignorando as declarações do Comandante da PSP, que desde o dia anterior tentava desmentir as notícias alarmistas.
  • A BBC News, a BBC Brasil, a Euronews, a CNN, e vários canais de televisão franceses, belgas, holandeses, italianos, alemães e luxemburgueses ecoam a notícia já divulgada nos meios de comunicação nacionais. Durante vários dias, os media portugueses vivem uma febre do “arrastão”.
—o—

Apenas vários dias após as primeiras comunicações, os media começaram a corrigir os factos; o mal estava feito, porém: toda a população tinha sido convencida de que realmente houve um arrastão nesse dia. As peças noticiosas de correcção tiveram notoriamente menos exposição e muitos nem sequer chegaram a saber que o evento tão alardeado não chegou na verdade a acontecer.

O vídeo “Era uma vez um arrastão”, por Diana Andringa, foi uma das muitas tentativas de revelar a verdade do que se tinha (ou não) passado; provavelmente foi a mais bem-conseguida de todas, sem no entanto ter tido o poder de desfazer o receio racista e o estigma que entretanto se espalhara e que a cada dia atinge a população negra em Portugal.

Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=9pfS50Ycguw
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=krHE6BpRK5g
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=O-0UFPJi5tA
Parte 4: http://www.youtube.com/watch?v=gCZ1KmlqgqU

Uma colectânea de documentos foi publicada no livro “O Pseudo-Arrastão de Carcavelos”, pela ACIME (Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas*), e está também acessível online, em http://www.acidi.gov.pt/docs/Publicacoes/ARRASTAO.pdf

* actualmente Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI)

Posted by Waldir Pimenta at 10:13:43 | Permalink | No Comments »

Thursday, December 18, 2008

Desbravando o paradoxo

Muitos homens e mulheres já se aventuraram pelos terrenos pantanosos que separam Marte de Vénus (leia-se: os homens das mulheres). Eu próprio várias vezes me debrucei sobre as diferenças de comportamento que tanto desconcertam o sexo oposto (e por vezes o próprio sexo, geralmente — arriscarei dizê-lo, sob risco de ser sexista –, as mulheres).

Mas até hoje eu não tinha lido uma abordagem tão lúcida do tema como a do Alex Castro, no seu artigo “Não entendo a Claudinha!”. O ponto fulcral do que ele diz é o deitar abaixo da falácia de que existe algum paradoxo… geralmente quando leio algo genial faço um resumo (ou tradução) aqui no blog em vez de simplesmente linkar, mas neste caso nem tentarei, iria amputar o texto. Chega de interlúdio, abaixo o link:

Alex Castro - “Não entendo a Claudinha!

Posted by Waldir Pimenta at 22:41:42 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, December 6, 2008

Dois Pesos, Duas Medidas

Coisas que odeio que as pessoas façam:
(…)
13) Reclamar do governo, mas…
…comprar coisas piratas, sonegar impostos, levar a vida no ‘jeitinho’, deixar transparecer que, se tivesse uma oportunidade, roubaria tanto quanto aqueles políticos que tanto critica.

Suellen em “95 Teses de Lutero

relacionado: este post + comentários (e este também, do mesmo blog)


Update: a parte II foi publicada, e contém mais uma pérola que complementa a anterior:

19) Ser idealista, porém…
…desfrutar de tudo do bom e do melhor, mesmo sem saber que muitas dessas coisas das quais desfruta vieram graças à ideologia que tanto combate, que tanto odeia.

Olha, nada contra usar uma camiseta do Che Guevara (cujo filme irá estrear logo por aqui, com o Benicio del Toro), ser contra o presidente americano do momento, ficar indignado pelo fato de darem US$ 1 trilhão para os bancos e não para os famintos, ou ser a favor do meio ambiente, militando no Greenpeace.

O problema, por exemplo, surge quando o cidadão se revolta com o capitalismo, mas cursa uma faculdade, cara, seja pela mensalidade absurda, seja por ser custeada por nossos impostos. E quem banca seu idealismo é o pai, muitas vezes, executivo de uma multinacional das mais típicas do capitalismo que ele odeia tanto. Tanto que, enquanto você chega de ônibus na faculdade, e é logo criticada por ele por escolher trabalhar numa empresa que, entre outros absurdos, agride o meio ambiente, o idealista veio sozinho, de carro, equipado com ar-condicionado, cujo gás é um dos que mais prejudicam nossa atmosfera, mas para quê saber disso, né? Chato demais…

Ou então usar uma bandeira do Tibete no carro, na camiseta, mas continuar a comprar produtos chineses…Francamente, quer mudar o mundo? Adote posturas e atitudes condizentes. Não se limite aos discursos.

Posted by Waldir Pimenta at 14:11:35 | Permalink | Comments (1) »

Monday, May 7, 2007

Eu sou anancástico!

Disorder Rating
Paranoid: Low
Schizoid: Low
Schizotypal: Low
Antisocial: Low
Borderline: Low
Histrionic: Moderate
Narcissistic: Moderate
Avoidant: Moderate
Dependent: Moderate
Obsessive-Compulsive: High

Personality Disorder Test
Personality Disorder Information

 
Take the test, and then comment here to say what is your disorder! =D 
Posted by Waldir Pimenta at 02:05:02 | Permalink | No Comments »

Monday, March 5, 2007

Slow talk

Calvin: Sometimes when I’m talking, my words can’t keep up with my thoughts. I wonder why we think faster than we speak.

Hobbes: Probably so we can think twice.

Posted by Waldir Pimenta at 22:11:56 | Permalink | Comments (2)

Monday, February 5, 2007

O ataque como defesa

“Os fortes usam o ataque como a primeira forma de defesa. Os fracos usam-no como último recurso, quando estão encurralados — mais como uma reacção instintiva básica de sobrevivência, do que pelo uso consciente de uma arma disponível no seu arsenal.”

ocorreu-me agora.

Posted by Waldir Pimenta at 00:33:54 | Permalink | No Comments »

Monday, January 29, 2007

Ditado árabe

“Quando chegares a casa, bate na tua mulher. Tu não sabes porquê, mas ela sabe.”

Ditado árabe

Agora a minha versão, para as mulheres:

“Quando chegares a casa, bate no teu marido. Ele não sabe porquê, mas tu sabes.”

Posted by Waldir Pimenta at 06:21:55 | Permalink | Comments (1) »

Monday, November 20, 2006

Eu te controlo.

“By reading this, you have given me brief control over your mind.”

autor desconhecido

Posted by Waldir Pimenta at 21:42:18 | Permalink | No Comments »

Monday, September 11, 2006

Como ser um bom professor

P: Estou prestes a começar a ensinar. Como posso ser um bom professor?

R: Os melhores professores que me lembro do tempo da escola tinham 3 coisas em comum:

  1. Eles tinham padrões elevados. Tal como as crianças testam os pais, os estudantes testam os seus professores para ver se podem safar-se com trabalhos de baixa qualidade ou mau comportamento. Não respeitarão os professores que não exijam isso deles.
  2. Eles gostavm de nós. Tal como os cães, as crianças conseguem notar bastante bem se alguem lhes deseja bem ou não. Eu penso que muitos dos nossos professores ou nunca gostaram muito de crianças, ou por algum incidente “queimaram-se” e deixaram de gostar.É dificil ser um bom professor quando isso acontece. Não consigo lembrar-me de um professor que conseguisse ser bom não gostando dos alunos.
  3. Eles tinham interesse na matéria. A maioria dos professores que tive não estavam realmente interessados no que ensinavam. O entusiasmo é contagioso. O desinteresse também.

(traduzido)

Paul Graham, nas RAQs (Rarely Asked Questions) do seu site

Posted by Waldir Pimenta at 02:15:46 | Permalink | Comments (1) »