Artists Depend On A Rich Public Domain
Há uns dias atrás esteve na minha escola um grupo de jovens de uma empresa de design multimédia que faz trabalhos para várias empresas grandes no panorama português, e até internacional. O objectivo era fornecerem-nos uma visão de como era trabalhar nessa área, com ênfase nas diferenças entre os trabalhos académicos e os "reais" pedidos por empresas clientes.
Fiquei ligeiramente surpreso por a apresentação deles (largamente improvisada, aliás) ter-se focado em dois aspectos principais: os prazos curtíssimos que têm para entregar os trabalhos, e as dificuldades em arranjar conteúdo para os produzir, devido ao licenciamento do conteúdo existente (copyright).
Li hoje um texto, do qual abaixo reproduzo uma parte, que penso ser extremamente relevante para este assunto:
Fiquei ligeiramente surpreso por a apresentação deles (largamente improvisada, aliás) ter-se focado em dois aspectos principais: os prazos curtíssimos que têm para entregar os trabalhos, e as dificuldades em arranjar conteúdo para os produzir, devido ao licenciamento do conteúdo existente (copyright).
Li hoje um texto, do qual abaixo reproduzo uma parte, que penso ser extremamente relevante para este assunto:
If we know little about the utility of longer copyright terms, there is abundant evidence regarding the vital importance to the progress of our culture of a robust stock of public domain works.
Most artists, if pressed, will admit that the true mother of invention in the arts is not necessity, but theft. And this is true even for our greatest artists. Shakespeare's Romeo and Juliet (1591) was taken from Arthur Brooke's poem Romeus and Juliet (1562), and most of Shakespeare's historical plays would have infringed Holingshead's Chronicles of England (1573). For the third movement of the overture to Theodora, Handel drew on a harpsichord piece by Gottlieb Muffat (1690-1770). Passages of both works are compared at this very interesting web site.
Cultural giants borrow, and so do corporate giants. Ironically, many of Disney's animated films are based on Nineteenth Century public domain works, including Snow White and the Seven Dwarfs, Cinderella, Pinocchio, The Hunchback of Notre Dame, Alice in Wonderland, and The Jungle Book (released exactly one year after Kipling's copyrights expired).
Borrowing is ubiquitous, inevitable, and, most importantly, good. Contrary to the romantic notion that true genius inheres in creating something completely new, genius is often better described as opening up new meanings on well-trodden themes. Leonard Bernstein's reworking in West Side Story of Romeo and Juliet is a good example.
extraído de "The Mouse That Ate the Public Domain", por Chris Sprigman
É realmente triste ver que cada vez mais prolifera a defesa do copyright, dificultando o trabalho dos artistas de diversas áreas, enquanto dá lucro e mais lucro às grandes corporações comerciais. Pouca gente tem consciência da importância do domínio público e de conteúdo licenciado em licenças copyleft, apesar de várias iniciativas terem sido lançadas nesse sentido: o Projecto Gutenberg, a Wikipédia, o site do músico Moby que disponibiliza música original para bandas sonoras com uma licença menos restritiva, o movimento Creative Commons que por exemplo já está no flickr e em muitos outros sites como opção de licenciamento das fotos, permitindo assim que as imagens sejam reutilizadas legalmente como parte de obras criativas e artísticas...
Espero que agora na era digital as pessoas ganhem mais consciência deste tema e que participem no movimento para ajudar os artistas do presente e do futuro. E sim, o mortal pode fazer algo para mudar o sistema: por exemplo, licenciar as suas fotos no flickr sob licenças creative commons em vez de usar o copyright tradicional (todos os direitos reservados). Porque (e muita gente não tem consciência disso) se um trabalho não tiver licenciamento atribuído, legalmente é assumido o copyright absoluto...
Espero que agora na era digital as pessoas ganhem mais consciência deste tema e que participem no movimento para ajudar os artistas do presente e do futuro. E sim, o mortal pode fazer algo para mudar o sistema: por exemplo, licenciar as suas fotos no flickr sob licenças creative commons em vez de usar o copyright tradicional (todos os direitos reservados). Porque (e muita gente não tem consciência disso) se um trabalho não tiver licenciamento atribuído, legalmente é assumido o copyright absoluto...

