Monday, March 26, 2007

Bendita ignorância…

It’s true that we don’t know what we’ve got until we lose it, but it’s also true that we don’t know what we’ve been missing until it arrives.

autor desconhecido

Posted by Waldir Pimenta at 13:46:34 | Permalink | No Comments »

Monday, March 19, 2007

Choosing a career

1. Prestige is like a powerful magnet that warps even your beliefs about what you enjoy. It causes you to work not on what you like, but what you’d like to like. It might be a good rule simply to avoid any prestigious task. If it didn’t suck, they wouldn’t have had to make it prestigious.

2. The test of whether people love what they do is whether they’d do it even if they weren’t paid for it — even if they had to work at another job to make a living. How many corporate lawyers would do their current work if they had to do it for free, in their spare time, and take day jobs as waiters to support themselves?

3. Don’t decide too soon. Kids who know early what they want to do seem impressive, as if they got the answer to some math question before the other kids. They have an answer, certainly, but odds are it’s wrong. A friend of mine who is a quite successful doctor complains constantly about her job. In high school she already wanted to be a doctor. And she is so ambitious and determined that she overcame every obstacle along the way—including, unfortunately, not liking it. Now she has a life chosen for her by a high-school kid.

excerpts from

how to do what you love, by Paul Graham

Posted by Waldir Pimenta at 17:40:02 | Permalink | No Comments »

Monday, March 12, 2007

A Língua Canibal

O “site” do nosso Presidente dá lugar de honra à entrevista que ele deu ao “ABC”.

Também a primeira audiência oficial foi dada à Espanha. Felipe de Borbón, claramente comovido, foi generoso: “Vim oferecer todo o apoio da Espanha em tudo o que seja significativo para as relações bilaterais”.

Ora deixemo-nos cá ver – já que estamos obviamente tramados com os espanhóis – em que é que o moço nos poderá ajudar.

O maior obstáculo continua a ser a língua. O castelhano, como se sabe, é uma língua com muitos defeitos – sobretudo para quem fala português – e quanto mais cedo começarmos a corrigi-la, melhor para o entendimento peninsular. A solução é um acordo linguístico entre os dois países.

A mania mais irritante dos espanhóis tem a ver com a tonicidade: como se já não bastasse o gin ser Larios, temos também de levar com água tónica La Casera?

Com as palavras acontece o mesmo. Quando são iguais, eles arranjam maneira de as tornar irreconhecíveis.
Começando logo com o Professor Cavaco Silva, veja-se como pronunciam “canibal” como quem diz “Aníbal”. Não está certo. Em vez de rimar “atmosfera” com “esfera”, rimam-na com “fósfora”: “atmósfera”.

É ridículo.

É inaceitável. Como podem eles dizer “terapia” a rimar com “prosápia”; “atrofia” a rimar com “bófia”; “fobia” a rimar com “sobe-a” e, em vez de “herói”, “héroe”?

Até pronunciam “cameraman” como se fosse uma parte do abdómen: “camerámen”. Nem à traqueia fica bem soar a pum (“tráquea”). Demonstra falta de nível dizer “nível” como se fosse uma marca de velas fabricadas em Niza. Um imbecil perde estupidez essencial se for um “imbecil”. Só falta dizerem “crocódilo”.

A democracia já é suficientemente barulhenta, escusando de ser gritaria de “democrácia”. Em contrapartida, a burocracia em português pouco perderia em soar mais crassa e poderia passar a ser “burocrácia” e “burócrata”. Aqui entramos nas concessões que nós portugueses teremos de fazer se quisermos tornar a língua castelhana mais civilizada.

Podemos ceder, por exemplo, dizendo ”estereotipo” em vez de “estereótipo”, que, muito francamente, soa a espanholada. Eles que passem a dizer “hemorragia” em vez do horrendo “hemorrágia” e nós, atendendo ao inglês, poderemos dizer “futebol”com tónica no “foot”. No mesmo pé, faz todo o sentido “ortopédia” em vez de “ortopedia”. Podemos até fingir que dizemos “batraquio” e, com grande sacrifício, passar a dizer “batráquio”. Se eles abandonarem, de uma vez por todas, o vício de dizer “teléfono”, “crisantémo”, “mediócre”, “textíl”, “misíl” e “epidémia”, nós talvez possamos considerar dizer, por exemplo, “leucémia”, “impár”, “rúbrica”, “taquicárdia” e até “psicópata” para afastar, de uma vez por todas, a imagem da pata tresloucada.

Outra área em que se deverá chegar a acordo é a dos géneros. Os castelhanos têm uma enorme dificuldade em atribuir o sexo correcto às palavras e isso tem de acabar. Faz algum sentido tornar o sal, tão masculino, em menina? Mas é “la sal” que os espanhóis dizem. E quem diz tal coisa também lhe sai da boca fora monstruosidades como “la postal”, “la nariz”, “la sangre”, “la masacre” ou “la leche”. O que é que se há-de fazer? É o “la costumbre” deles.

Outro problema terrível que têm é com as palavras acabadas em “agem”, às quais reagem atirando-as lunaticamente para o masculino. É “el embalage” para aqui, “el masage” e “el maquillage” para ali e é preciso “el corage” para suportar o ultrage de “el embalage”, “el viagem” e “el paisage”. Dirão que é aqui que os portugueses podem ceder – passando a dizer “o hospedagem”, “o aprendizagem” e outros dislates – porque também franceses e italianos consideram masculinas quase todas estas palavras. Paciência. Estão todos tragicamente enganados, excepto no pajem. O resto é absolutamente feminino.

Como então negociar com os espanhóis para eles deixarem de dizer, escandalosamente, “el ponte”, “la miel”, “el dolor”, “la lumbre” e, em vez da valsa, “el vals”? Nalgumas transexualidades teremos de ceder. Talvez possamos prescindir da masculinidade de algumas palavritas e passar a dizer “a silicone”, “a ênfase”, “a ioga” e “a hamburguesa” se eles desistirem de aleivosias como “el pétalo” e “el análisis”. Como prova de boa vontade, até podemos ceder na zona tórrida das palavras acabadas em “agem” e passar a dizer “o homenagem”.
Ou pensando bem, talvez não. Se calhar, este desentendimento tem as suas vantagens multisseculares. Quem sabe? Uma coisa é certa: se o castelhano não tem cura, a culpa não é nossa.

texto original: A Língua Canibal
por Miguel Esteves Cardoso in Como quem diz, no Expresso de 18 Março de 2006

Posted by Waldir Pimenta at 14:17:19 | Permalink | No Comments »

Monday, March 5, 2007

Slow talk

Calvin: Sometimes when I’m talking, my words can’t keep up with my thoughts. I wonder why we think faster than we speak.

Hobbes: Probably so we can think twice.

Posted by Waldir Pimenta at 22:11:56 | Permalink | Comments (2)